quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Mito da Mensagem Subliminar

Este é um artigo ciêntífico realizado por mim e dois amigos da faculdade com a orientação de um professor nosso. Resumidamente, o objetivo do artigo foi desmistificar o mito do subliminar.

UNIÃO DAS FACULDADES DOS GRANDES LAGOS
UNILAGO










O QUE É MENSAGEM SUBLIMINAR PARA AS DISCIPLINAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL











Discentes: Eder Juno N. Terra (2º JN)
Ariel Estrella (1º PP)
Franklin Catan (1º JN)



Orientador: Rodrigo Lorenço (especialista)



Área: Comunicação Social








SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
2008

UNIÃO DAS FACULDADES DOS GRANDES LAGOS
UNILAGO









O QUE É MENSAGEM SUBLIMINAR PARA AS DISCIPLINAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL









RESUMO:


O conceito de mensagem subliminar independe de qualquer uma de suas inúmeras definições em disciplinas diferentes. Concluímos o fato da não existência do poder de manipulação ou persuasão. Nenhuma evidência foi encontrada até hoje dentre as supostas confirmações. O estudo realizado neste artigo utilizou, como técnica de embasamento, uma argumentação que deixa bem claro para todas as áreas estudadas que o significado original do conceito ‘mensagem subliminar’ é a mensagem que não pode ser percebida conscientemente, ou seja, a partir do momento em que um indivíduo a percebe, ela não é mais subliminar. Nas pesquisas bibliográficas, não encontramos referências suficientes para sustentar que a mensagem que não pode ser percebida conscientemente provocou alguma reação no ser. A psicologia e a psicanálise estão entre as áreas utilizadas para o maior embasamento de confirmação teórica para a real existência da mensagem subliminar; enquanto a antropologia, a biologia, a neurociência e a filosofia foram algumas das áreas que não concordaram com a aceitação desse conceito como uma verdade. O porquê das inúmeras constatações sobre a mensagem subliminar no senso comum acontece única e exclusivamente pelo objetivo de marketing e lucro. Analisamos e fizemos um julgamento multidisciplinar nas áreas que defendem a existência da mensagem subliminar e encontramos vários motivos para essas áreas defenderem este conceito.


SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
2008
CORPUS:

Muitas pessoas costumam desconfiar e até mesmo temer as supostas “mensagens subliminares”, que seriam mensagens escondidas em propagandas, músicas, filmes, desenhos animados, etc. Essas mensagens, conforme dizem, podem induzir as pessoas a mudarem o comportamento, comprarem produtos, enfim, influenciar os indivíduos sem que eles percebam conscientemente.
A maioria dos sites sobre o assunto não só misturam todos os tipos de mensagens subliminares num mesmo balaio, atribuindo a todas elas poderes fantásticos de persuasão, como ainda acrescentam inúmeras idéias que não têm absolutamente nada de subliminar.
Pessoas ganham dinheiro e projeção com livros, palestras e sites sobre o que pensam ser mensagens subliminares. CD’s de auto-ajuda movimentam um grandioso mercado, grupos religiosos alimentam o fascínio, denunciando o uso das mensagens subliminares. Amparando tudo isso não há nenhum estudo comprovado cientificamente.
Não existe uma tese empírica que positive as existências dessas mensagens, pois são muitos experimentos, mas poucas provas e evidências, e com isso, acaba ficando uma incógnita. A superstição dessas mensagens acaba prejudicando o estudo técnico e científico do tema. Alguns estudiosos sobre o assunto, dizem: que esse uso de mensagens subliminares é sempre para garantir grandes lucros, mas como isso pode ser verdade, se ainda não é comprovado que ela influencia na vida das pessoas?
A definição é usada para definir um tipo de mensagem que não pode ser captada diretamente pelos sentidos humanos. Dá-se o nome de mensagem ou propaganda subliminar toda aquela mensagem que é transmitida em um baixo nível de percepção dos nossos sentidos. (CALAZANS, 1992)
Em rádio trata-se da transmissão de mensagens redundantes acima ou abaixo do espectro perceptível pelo ouvido humano, enquanto no vídeo, cinema e televisão seriam estímulos ultra-rápidos, veiculados em intervalos de tempo e de forma também repetitiva. Dessa forma tanto no áudio como no visual, as mensagens subliminares, não seriam percebidas conscientemente pelo público. (RABAÇA, et al., 1995)
Em psicologia subliminar ou subliminal é o estimulo que não é suficiente para atingir a consciência do indivíduo, mas que, repetido várias vezes, é capaz de atuar sobre seu inconsciente ou subconsciente, no sentido de alcançar um efeito desejado em suas emoções e opiniões. Tudo o que se revela abaixo do limiar da consciência, sua mínima sensação percebida é subliminar. (RABAÇA, et al., 1995)
Em propaganda, é corrente o uso do termo para classificar qualquer mensagem expressa nas entrelinhas. (RABAÇA, et al., 1995)
Para Calazans, mensagens subliminares são mensagens que são enviadas dissimuladamente, ocultas, abaixo da percepção consciente, ou seja, abaixo do limiar da consciência. Elas se produzem nas atividades psíquica e mental e influenciam em nossas escolhas e atitudes. (CALAZANS, 1992)
Segundo Meditsch, “essas mensagens nas rádios também pode ser estudas, pois o som nos toca e é muito envolvente, às vezes e mesmo a distancia dos jingles elas podem fixa em nosso consciente, o nosso organismo é estimulado pela vibração sonora e reage de forma diferente, é porque o som embora não tenha imagem, acontece uma invisibilidade do discurso do emissor, que disputa a atenção e isso faz com tenha uma reação emocional no emissor. (MEDITSCH)
O conceito subliminar possui visões diferentes em várias disciplinas, porém o objetivo principal do artigo é apontar até que ponto, esse conceito é realmente utilizado de modo correto no senso comum.
Nos meados do século XX, os meios de comunicação como televisão, cinema e a internet, começaram a usar mensagens consideradas subliminares. Mas ainda não há estudos que comprovem a existência dessas mensagens subliminares. (INTERCOM, 2001)
As técnicas audiovisuais midiáticas têm por objetivo a transmissão de mensagens que sejam subliminares, cujo admissão/entrada sejam acionadas devido ao tempo de exposição, ritmo, sobreposição ou distribuição e que acabarem impossibilitando uma leitura por parte do receptor. (INTERCOM, 2001)
Em junho de 1934, R.M. Collier experimentou utilizar um taquicoscópio, projetor de flashes usado em uma tela de cinema ou mesa de luz para projetar imagens e palavras, a uma velocidade de 1/3000 de segundo para causar a idéia de movimento. (MACHADO, et al., 2002)
No ano de 1956 em Nova Jersey, com a de um taquicoscópio instalado ao lado de um projetor comum de cinema, James Mcdonald Vicary, um especialista em marketing americano, desenvolveu uma técnica chamada de projeção subliminar, onde imagens intencionais impossíveis de serem percebidas de forma consciente eram projetadas em frações de segundo em uma sessão de cinema. As frases escolhidas foram drink coke (beba coca-cola) e eat popcorn (coma pipoca), projetadas sobre a exibição do filme Picnic (Férias de Amor). Resultado: Na noite em que foi feita a experiência, as vendas de pipoca teriam aumentado em 57,7%, e as de Coca-Cola em 18,1%. (GOMES, 1999)
Em 10 de junho de 1956, o jornal Sunday Times de Londres, publicou uma matéria sobre o experimento vicarista com o titulo Sales Through the Subconscious – Invisible Advertisement (venda através do subconsciente – Anúncios Invisíveis). (MACHADO, et al., 2002)
Logo em seguida a BBC de Londres com supervisões técnicas de James McCloy, testou a projeção de mensagens subliminares com velocidade de 1/25 de segundos, inseridas na programação com objetivos de saber quais seriam as reações dos telespectadores. (INTERCOM, 2001)
Em 1974 ouve registro de subliminar à televisão com objetivos comerciais, quando a frase “compre-o” foi inserida com um “frame” 1/30 segundos por 4 vezes durante o comercial de 30 segundos no jogo para crianças “Kusker Du” nos Estados Unidos da América. (INTERCOM, 2001)
Em setembro 2000, na campanha presidencial dos Estados Unidos, o candidato republicano George Bush veiculou em um filme críticas ao programa do candidato democrata Al Gore. A equipe de Bush liderada por Alex Castellano, inseriu em um frame (uma divisão de tempo na tela que era equivalente à 30 divisões de um segundo, 1/30 de segundo). a palavra rast (ratos) sobreposta à frase bureaucrats decide. Castellano disse ao jornal New York Times, que foi acidental a inserção de um frame. Nesse filme foram gastos, aproximadamente US$ 2,5 milhões, e foi veiculado 4.400 vezes antes de ser assistido em território nacional e alguns dizem que foi muito cara essa campanha para ser dito que foi um acidente. Esse tema é polêmico até hoje no país. Segundo Osmar Freitas, correspondente em Nova York, na revista Isto É nº 1.616, de 20 de setembro de 2000, página 118, “caracteriza-se, assim, um dos mais clamorosos exemplos de propaganda subliminares jamais descobertos”. Isso fez com que Bush fosse acusado de ter feito mensagem subliminar, por várias revistas e jornais americanos e brasileiros. (INTERCOM, 2001)
Logo sem seguida foram aparecendo outros casos, a Disney admitiu ter encontrado imagens subliminares em um dos seus filmes de animação. E assim ocorreram outras aparições. O jornalista Rodrigo Bueno da FOLHA DE SÃO PAULO em 10 de agosto de 2000, na capa do caderno esporte. “A copa João Havelange, versão 2000 do Campeonato Brasileiro, está fazendo publicidade subliminar de empresas telefônicas”. (INTERCOM, 2001)
Flavio Calazans, em uma de suas entrevistas para a TRIP, afirma que as propagandas de cigarros também utilizam mensagens subliminares. A “Action on Smoking and Health (uma das ONGs mais respeitada anti-tabagistas norte-americanas) disse que a Philip Morris investiu 10 milhões de dólares, para aprimorar técnicas do design de embalagens de maços de cigarros.” (INTERCOM, 2001)
Contudo, Vicary afirmou em uma reportagem que havia sido forçado a divulgar aqueles resultados, ou seja, ele desmentiu os efeitos das mensagens subliminares. Cientistas continuaram a experiência de Vicary e sem nenhum sucesso científico. A repercussão da experiência falseada foi suficiente para alimentar o mito das propagandas subliminares. Todas essas experiências com mensagens subliminares são citadas, mas não há provas se há propaganda de tal conteúdo junto ao público. Esses como tantos outros casos, dizem haver mensagens subliminares nas propagandas com fins próprios de interesses.
Na obra Subliminal Seduction, uma das primeiras referências sobre percepção subliminar vem de Demócrito (400 a.C), o filósofo grego, que afirmava “muito do que é perceptível, não é claramente percebido”. Já Platão em Timeu, e Aristóteles na obra Perva Naturali, conseguiram aprofundar mais esse fundamento teórico. (MACHADO, et al., 2002)
Outros que estudaram as subliminares e suas percepções, foram: Montaigne em 1580, e Leibniz, em 1698, os dois afirmavam existir várias percepções não avisadas, mas que tinham conseqüência nas atitudes do ser humano. (MACHADO, et al., 2002)
A web site www.mensagemsbliminar.com.br acessado em agosto de 2008, define mensagens subliminares como “a arte de persuasão inconsciente”, juntamente com alguns apelos religiosos a crença subliminal.
Mas o que leva uma pessoa ser altamente absorvida por esses tipos de mensagens e o que ela pode causar, se ainda não há nada concreto se existem mesmo as mensagens subliminares? São muitos experimentos, mas poucas verdades.
Nos Estados Unidos a mídia tentou esconder essas publicações, mas Van Packard, professor de jornalismo em New Cannan(Connecticut), lançou uma obra – The Hidden Persuaders, no Brasil “Nova técnica de Conversar,” que comentava o artigo publicado no jornal londrino, que causou polêmica. Ele diz que os anúncios projetados na tela eram de sorvetes e não de Coca-cola e Pipoca. (MACHADO, et al., 2002)
Em 2002 a MTV foi denunciada pelo fato de ter incluído conteúdo subliminar em sua programação com cenas sadomazoquista ao fundo da tela. (ROBLES)
Na política desde tempos antigos já se falam em mensagens subliminares, exemplos: Adolph Hitler e Joseph Goebbels. Alguns estudiosos dizem que esses dois ícones da história mundial em seus discursos políticos queriam convencer a população de alguma causa. “O ódio aberto contra os judeus parece ter envolvido os alemães numa crise de consciência. Como dizem Furkhammar e Isaksson, aqueles que achavam insuficientes as explicações públicas para tal ódio deviam se sentir perturbados e buscavam, para a racionalização deste fato, argumentos emocionais que o justificassem”(Lenharo-1990) (ROBLES)
Segundo Vokey e Read, no artigo “subliminal Messages” da revista American Psychologist nº 40, de novembro de 1985: “os efeitos dessas mensagens podem não aparecer imediatamente, mas podem requerer um período de incubação, de modo que o comportamento desejado (comprar o produto) pode não ocorrer por algum tempo”. (CALAZANS, 1992)
Mensagem subliminar é aquela que trabalha com o subconsciente das pessoas. A mensagem captada é assimilada sem nenhuma barreira consciente, assim, o indivíduo age não como se estivesse hipnotizado, pois ele não perde a consciência, mas sim, com tendências subjetivas para tomar certa atitude.
É importante ressaltar que a mensagem subliminar trabalha unicamente com o subconsciente, portanto, qualquer impressão consciente que uma imagem provoca no indivíduo não pode ser considerada como mensagem subliminar. Em muitos casos, as pessoas tentam encontrar significados em mensagens que não possuem nada demais. Esse mecanismo é chamado de auto-ilusão, quando uma pessoa costuma usar de seu conhecimento, vivências e suas opiniões pessoais para imprimir suas idéias naquilo que ela está analisando – a mensagem, mudando completamente seu sentido real.
No Brasil, não existe nenhuma lei que proíba de forma direta qualquer tipo de propaganda subliminar, no entanto, a legislação acredita que a propaganda subliminar fere o que diz o artigo 20 do Código de Ética dos Publicitários, onde se diz que todas as mensagens devem ser ostensivas e assumidas (explícitas). Assim, no contexto legal, a mensagem subliminar é vista como um elemento antiético e inconstitucional, visto que o espectador não pode usar seu direito de escolha por não estar consciente de sua existência (GOMES, 1999)
Embora não possamos identificar esta absorção da informação, o nosso subconsciente capta-a e ela é assimilada sem nenhuma barreira consciente. Importante ressaltar que existem mensagens que estão abaixo da capacidade de percepção humana - essas mensagens são imperceptíveis, não devendo ser consideradas como subliminares. Toda mensagem subliminar pode ser analisada em duas características fundamental, o seu grau de percepção (a aquisição, seleção das informações obtidas pelos sentidos de maneira inadvertida) e de persuasão (que consiste em levar alguém a adotar uma idéia, atitude ou realizar uma ação de caráter mascarado ou camuflado pelo emissor). (GOMES, 1999)
A percepção subliminar é a habilidade de o ser humano de captar, de forma inconsciente, mensagens ou estímulos fracos demais para provocar uma resposta consciente. Segundo a uma suposição admissível, o inconsciente designa aquilo que está situado abaixo do nível da consciência ou que é inacessível a mesma é capaz de perceber, interpretar e guardar uma quantidade muito maior de dados que o consciente. Como exemplo, sons baixos demais para serem claramente identificados ou imagens que possuem um tempo de exposição pequeno demais para serem percebidas conscientemente. Dados que passariam despercebidos pela mente consciente seriam na verdade interpretados e guardados. (GOMES, 1999)
A persuasão subliminar seria a capacidade que uma mensagem teria de influenciar o receptor. Segundo a hipótese embasada em experimentos questionáveis como veremos adiante, toda mensagem subliminar tem uma determinada medida de persuasão, e pode vir a influenciar tanto as vontades de uma forma imediata (fazendo por exemplo, a pessoa diante de um fato, poder desejar sentindo vontade de comer ou beber algo), como até mesmo a personalidade ou gostos pessoais de alguém a longo prazo (mudando o seu comportamento, transformando uma pessoa tímida em extrovertida). Esse alcance de persuasão necessita variar de acordo com o tempo de exposição à mensagem, e o conjunto de características psicológicas que determinam a individualidade pessoal do receptor. (GOMES, 1999)
Embora a percepção subliminar tenha uma aceitação teórica ampla dentro da psicologia, até hoje a persuasão subliminar não conseguiu ser comprovada cientificamente, ainda que alguns pesquisadores independentes aleguem terem experimentos que de fato comprovariam a existência da persuasão. Infelizmente até hoje ainda não existe nenhum trabalho publicado em periódicos científicos que confirme essa afirmação, desde a época em que o conceito de mensagem subliminar foi definido.
Segundo Vinícius Wagner Gomes em seu livro O invisível atua no visível da propaganda? - atualmente o termo subliminar é usado com um sentido diferente da sua definição original. Vejamos algumas delas no âmbito das técnicas lingüísticas e publicitárias:
O que está subentendido não é subliminar. O termo subliminar vem sendo empregado como um sinônimo de subentendido. Subentendida é toda mensagem que não está expressa de forma imediata, tendo seu significado implícito, uma imagem ou uma idéia sugerida, nas entrelinhas, sutil ou periférica não é subliminar. Ela pode ser percebida diretamente por dedução, associação ou análise de contexto. Mensagens subentendidas não estão abaixo do limiar de percepção, (se estivessem, nunca poderiam ser percebidas de forma consciente), mas podem ser apresentadas de uma forma muito sutil, tornando difícil a associação.
A pareidolia também definida como validação subjetiva ou uma forma de auto-ilusão. Nesse caso, uma pessoa costuma usar de seu conhecimento, vivência e suas opiniões pessoais, imprimindo suas idéias naquilo que ela está analisando causando uma distorção. O resultado, é que ela cria um novo significado para aquilo que ela está vendo. Outras pessoas, ao entrar em contato com essa afirmação, fazem uma análise condicionada à opinião anterior - encontrando algumas vezes os mesmos resultados.
A inversão fonética também confundida como exemplos de mensagens subliminares, geralmente são referenciadas pela expressão inglesa backward masking ou simplesmente backmasking. Consiste basicamente em trechos de músicas que, se tocados ou lidos de forma invertida, formariam palavras ou frases completas, supostamente evidenciando a intencionalidade técnica. No entanto, na maioria dos casos onde existem as mensagens de discurso reverso, não há evidências que seja mais do que indução, aliado talvez a certa coincidência nos fonemas. Até onde se sabe, o cérebro humano sequer é capaz de perceber a existência dessas mensagens. O cérebro não seria capaz de interpretar o som em sentido inverso.
A psicologia é a principal defensora do conceito subliminar. Dentre todos os conceitos, é esse que tentaremos desmistificar a seguir.
A ciência indica que quando uma hipótese não é provada, ou ainda não possui evidências concretas, sempre recorremos à hipótese mais simples, e consequentemente, mais próxima de uma lógica dedutiva, indutiva e de abdução. Sem dúvida, ainda através do empirismo e hipóteses em longo prazo, poderíamos considerar ao menos a conclusão estabelecida como uma verdade momentânea escrita com lápis e borracha.
Segundo a psicologia, subliminar é qualquer estímulo abaixo do limiar da consciência, ou seja, que um ser não seja capaz de perceber, estímulo este que produz efeitos na atividade psíquica inconscientemente. (BOCH, et al., 1999 p. 25)
Sigmund Freud define o inconsciente como um conjunto dos conteúdos não presentes no campo atual da consciência. Esse é constituído por conteúdos reprimidos, que não têm acesso aos sistemas pré-conscientes/consciente, pela ação de censuras internas. Tais conteúdos podem ter sido conscientes, em algum instante e terem sido reprimidos, ou seja, enviados para o inconsciente, ou podem apenas ser genuinamente inconscientes. Freud exprime que o inconsciente é um sistema do aparelho psíquico regido por leis próprias de funcionamento. Não possui noções de presente e passado, sendo assim atemporal. (BOCH, et al., 1999 p. 73)
De acordo com Freud o consciente é o sistema do aparelho psíquico que recebe ao mesmo tempo as informações do mundo interior e do mundo exterior. Na consciência, o diferencial é o fenômeno da percepção, principalmente a percepção do mundo exterior, raciocínio e atenção.
Guven Guzelbere, em seu artigo “O inconsciente Freudiano”, diz que na época de Freud, não havia nenhuma estrutura teórica adequada a partir da qual se pudesse rejeitar a idéia cartesiana de equacionar a mente com o que quer que se encontre no alcance da consciência. Em outras palavras, a consciência era geralmente considerada como "o ponto de divisão entre a mente e o que não é mental" (Baldwin 1901, pg. 216 In DAMÁSIO, 1994), i.e., a marca mental.
Levando isso em consideração é simples perceber que os conceitos de Freud relacionados à consciência foram ultrapassados.
O pesquisador Wilson Bry Key estudou as bases fisiológicas para compreender os processos e fenômenos subliminares, e explica que os cursos de leitura dinâmica baseiam-se na recepção de mensagem diretamente pelo cérebro via ocular, sem passar por um filtro de criticidade da consciência. (CALAZANS, 1992 p. 28)
De acordo com Key, a morfologia celular do olho humano, apresenta a fóvea, parte central do olho, do tamanho de uma cabeça de alfinete, composta pelas células cones, como o foco da visão consciente.
Ele afirma que a visão periférica do olho (tudo aquilo que não está sendo focado), composto de células bastonetes, seria a responsável pelo registro visual das percepções subliminares.
A fóvea (* a fóvea é o local do olho que focaliza a imagem) foca a figura consciente enquanto a visão periférica capta o fundo subliminar.
Os bastonetes são células sensíveis ao movimento e estímulos fracos, desta forma, enquanto os bastonetes veem em preto e branco, os cones veem todas as cores.
Key diz que as primeiras referências à percepção subliminar remontam aos escritos de Demócritos (400 a.C) que afirmava que muito do que é percebido não é claramente percebido.
O pesquisador Key diz que é possível uma pessoa ser treinada para identificar subliminares. Alterando uma regra de sua consideração que daria suporte a ter o subliminar. (CALAZANS, 1992 p. 40)
A regra é a seguinte: maior quantidade de informação sobre menor tempo de exposição. Dentro dessa regra altera-se a parte debaixo desta fórmula, ou seja, amplia-se o tempo de exposição à mensagem.
Percebe-se nitidamente que existe uma contradição na etimologia, ou seja, no significado da palavra subliminar, já que subliminar é tudo aquilo que não pode ser identificado pelos olhos humanos. Considerando que a velocidade dos frames é muito maior que a de um olho humano que tem a capacidade de enxergar.
E considerando a explicação de Key, deve estar bem claro que toda a sua explicação sobre o funcionamento subliminar depende exclusivamente do cérebro independente de qualquer outro. Ou seja, qualquer explicação é meramente superficial e não evidente, sem o conhecimento cerebral.
A mente é uma Caixa Escura, existe a ausência de um ponto arquimedeano fora da mente, que impossibilita de ver a mente em funcionamento. (BEAVIN, et al., 1999) Ou seja, Objeto e sujeito são idênticos e quaisquer hipóteses manifestam uma tendência inevitável para a autovalidação.
Limitamo-nos às relações observáveis de admissão-saída, isto é comunicação. Ao menos até agora, possuímos para este significado uma noção que é essencial à experiência subjetiva de comunicar com outros, mas que concluímos ser objetivamente indeterminável para os fins de pesquisa em comunicação.
Outra visão de grande influência para a psicologia é a do psiquiatra e psicanalista Carl Gustav Jung, que realiza experimentos através tratamentos de neurose (esse termo foi criado pelo médico escocês William Cullen em 1769, para indicar a desordens de sentidos e movimento que são causadas por efeitos gerais do sistema nervoso).
De acordo com Jung, a intuição é subliminar. Sendo assim, toda informação não focalizada com interesse seria um fundo indiferenciado, um ruído subliminar. (CALAZANS, 1992 p. 27)
Jung considera um engano acreditar que o inconsciente é inofensivo, porém não em toda e qualquer circunstância que o inconsciente se apresenta perigoso, mas cada vez que se manifesta uma neurose, é um sinal de que há no inconsciente algum acúmulo especial de energia, algo como, uma espécie de carga, que pode explodir. O psiquiatra considera que todo cuidado é pouco. (JUNG, 1980 pp. 104,105)
Inicialmente não se sabe que tipo de reação provocamos ao começarmos uma análise dos sonhos. Algo não visível pode ser posto em ação e poderia mais tarde vir à tona, de uma forma ou outra, mas existe também a possibilidade de nunca se manifestar.
Jung diz que é como se na perfuração em um poço artesiano, corrêssemos o risco de topar com um vulcão. É preciso manter cuidado com problemas neuróticos.
Porém este não é o maior problema, mas sim aqueles que não se manifestam em nada - geralmente em educadores, médicos e estudiosos de psicologia e psiquiatria – que possuem hábitos de vida extremamente comuns. Nesse tipo de pessoas Jung diz que o inconsciente surge em forma de fantasias que não podem mais ser contidas; tendo como conseqüência, estados de excitação. Pode conduzir, eventualmente à doença mental, ou, antes que isso aconteça, até provocar suicídio. Jung diz que essas psicoses latentes, não são tão raras quanto pode parecer.
Um dos modos mais comuns desse perigo, é provocar acidentes como esbarrar, tropeçar, queimar os dedos, etc. Até as catástrofes alpinistas e os acidentes automobilísticos. Tudo pode ter origem psíquica e, às vezes, já estão programadas semanas e até meses antes.
A partir destes relatos psíquicos muito críticos já se manifestam contra tal teoria, enquanto outros preferem apenas ignorar, é o caso da filosofia da mente.
"O mito - escreveu Wolfgang Marx - pôde, com a psicanálise, criar seu nicho ecológico no progressista e anti-mítico século 19, do qual até agora não foi expulso por qualquer ciência natural. E ele aí permanece, constantemente sitiado, sem, no entanto, estar esgotado". (MARTINEZ)
Jung examinou um grande número de casos dessa ordem e disse que, muitas vezes, semanas antes, os sonhos já revelariam uma tendência autodestrutiva.
Todos os acidentes provocados por descuidos, no senso comum, deveriam ser investigados, sob esse enfoque. Jung diz que nós sabemos muito bem que não são apenas tolices de maior ou menor importância que podem suceder-nos quando, por qualquer motivo, não estamos bem, mas também estamos expostos a perigos que, em dados momentos psicológicos, podem até comprometer a vida.
O psicólogo analítico considera aquele ditado popular: “Fulano ou sicrano morreu na hora certa”, uma certeza intuitiva quanto à causalidade psicológica secreta do caso. Da mesma forma, podem ser prolongadas ou provocadas as doenças físicas.
De acordo com Jung, um funcionamento inadequado da psique pode causar tremendos prejuízos ao corpo, da mesma forma que, inversamente, um sofrimento corporal consegue afetar a alma, já que para Jung alma e corpo não são separados, mas animados por uma mesma vida. Assim sendo, é rara a doença do corpo, ainda que não seja de origem psíquica, que não tenha implicações na alma.
O interessante é que o racionalismo de Jung não era de linha cartesiana, e opunha-se à metafísica ou ao sobrenatural da realidade psíquica. Porém ele define-se com a ideologia de finalismo, ou teologismo e na estrutura metodológica fenomenológica, que conduz ao espiritismo e ao dualismo da mesma forma. (BOFF p. 77)
Para a filosofia da mente, o pensamento (e entendo aqui por “pensamento” fenômenos de consciência, intencionalidade, identidade pessoal, ação voluntária, etc.) é um fenômeno natural. Ora se o mental é uma parte da natureza, o fisicalismo aparece como uma posição incontornável, ao contrário do pensamento dualista da psicologia. O fisicalismo em filosofia da mente é, basicamente, a tese segundo a qual não pode haver propriedades mentais na ausência de propriedades físicas. A consciência é movida basicamente por processos cerebrais. Noutras palavras, não existem objetos puramente mentais. (DENNETT, 1999)
Jung diz que a falta de solidariedade com o inconsciente significa ausência de instinto, ausência de raízes.
Segundo Jung, o inconsciente encerra possibilidades que não são acessíveis ao consciente, pois possui conteúdo subliminar (que segundo Jung, se encontra no limiar na consciência), de tudo quanto foi esquecido, tudo o que passou despercebido, além de contar com a sabedoria da experiência de incontáveis milênios, depositada em sua estrutura arquetípica.
Essa estrutura arquetípica são imagens primordiais com as formas mais antigas e universais da imaginação humana. Elas são ao mesmo tempo sentimento e pensamento. Possuem algo como vida própria, independente, mais ou menos como a das almas parciais, fáceis de serem encontradas nos sistemas gnósticos, apoiados nas percepções do inconsciente como fonte de cognição.
A idéia dos anjos e arcanjos, dos “tronos e potestades” de Paulo, dos arcontes dos gnósticos, das hierarquias celestiais em Dionsius Areopagita, etc, de acordo com Jung, são originarias da percepção da relativa autonomia dos arquétipos.
De acordo com Dennett a existência de consciência é contingente e um by product, um produto lateral da evolução. O nosso cérebro não foi feito (pela evolução) para isso, a “função” do cérebro não é traduzir para um medium o que seria a consciência, os processamentos cognitivos inconscientes. (DENNETT, 1999 p. 7)
Jung acredita na força da energia psíquica que costuma chamar de libido que segue sua inclinação até as profundezas do inconsciente e lá vivifica o que até então estava adormecido. Sendo assim, a descoberta do tesouro oculto, a fonte inesgotável onde a humanidade sempre buscou seus deuses e demônios e todas as idéias, segundo ele, sem os quais o ser humano deixa de ser humano.
Levando em consideração o dizer de Jung, o antropólogo Edgar diz que realmente o ser “sapiens-demens” possui uma brecha na qual o imaginário irrompe na percepção do real e que o mito irrompe na visão do mundo, e todo este aparelho mitológico-mágico emerge no ser mobilizado para enfrentar a morte em qualquer circunstância, inclusive na consciência de que a própria morte chegará um dia. (MORIN, 1979)
Porém o que deve ficar claro é que existem muitos homens que não buscam seus deuses e demônios, ao contrário do que Jung disse. E que, além disso, de acordo com Morin, em todo seu pensamente complexo e multidimensional e todas as suas formações acadêmicas, a racionalização simples (no caso que Jung sobre o ser humano) só encaminha ao erro e à ilusão de si próprio. De acordo com Morin, o homem é um ser hipercomplexo e a incerteza é o que o torna um ser humano, ou seja, nem ao menos uma probabilidade pode entender a sua complexidade. Sendo assim a afirmação de Jung que “o ser humano só é um ser humano se buscar seus deuses e demônios”, é uma grande falácia.
A idéia de energia psíquica, segundo Jung vem do inconsciente coletivo. Essas foram ativas durante milhares e milhares de anos. Ele diz que essa prova pode ser fornecida sem maiores dificuldades.
Definindo melhor, o inconsciente coletivo é uma energia psíquica, totalmente desligada do físico, o qual fica transitando de seres em seres, porém, não no cérebro, mas sim em um espaço paralelo em algum lugar místico.
Com o livro de Ryle a Filosofia da Mente é inaugurada descartando todas as formas de dualismo, inclusive está, ou seja, é totalmente incompatível existir propriedades mentais na ausência de propriedades físicas. Desta forma, a consciência é movida por processos cerebrais, não havendo objetos puramente mentais. (TOLEDO, 2005)
De acordo com Jung as religiões primitivas são formadas a partir disso, essa força universal mágica, e que tudo gira em torno dela. Ele apresenta exemplos: alma, espíritos, deuses, magia, força corporal, poder mágico, influência, fertilidade, ser demoníaco, poder, respeito, remédios, etc. Jung diz que todas essas energias inconscientes influenciam no consciente. Como nas conversões religiosas, no desenvolvimento ao nascer de certas formas de esquizofrenia.
Jung, em suas palavras, considera: - “espécimes recentes do “homo occidentalis”, particularmente dotados de inteligência, super-homem cujo “Deus está morto”, seres que se acham deuses, que para ele são deuses enlatados, com crânios de paredes espessas e coração frio.
O estudioso de psiquiatria afirma que o conceito de Deus é simplesmente uma função necessária de natureza irracional, que absolutamente nada tem a ver com a questão da existência de Deus. Considera que o intelecto humano jamais encontrará uma resposta para a questão. Muito menos pode haver qualquer evidência da existência de Deus, que ele considera supérfluo. Jung argumenta que a idéia de um ser todo poderoso existe em toda parte. Quando não é consciente, é inconsciente porque o seu fundamento é arquétipo. Considera mais sábio acreditar conscientemente na idéia de Deus, porque, caso contrário, outra coisa fica em seu lugar, em geral uma coisa sem importância, ou em suas palavras: uma asneira qualquer – invenções de consciências esclarecidas (ou seja, que pensam por si próprias de acordo com o filósofo Immanuel Kant em seu artigo – O que é Esclarecimento?)
As afirmações de Jung encontram-se totalmente contraditórias à do zoólogo e etólogo, Richard Dawkins de que evidências são supérfluo. Na verdade Richard aponta muitas evidências, inclusive as hipóteses darwinistas, ao contrário do argumento de Jung, de que “Deus está em toda parte”. (DAWKINS, 2007)
Richard considera essa visão errônea, como qualquer outro tipo de fé, o qual a pessoas busca soluções em respostas fáceis, confortáveis e simples, como já foi citado também por Morin parágrafos atrás, sobre a falta de complexidade no pensamento.
Segundo Jung o inconsciente está em constante atividade, e vai combinando os conteúdos, de modo a decidir o futuro. Produz combinações subliminais prospectivas (que fazem ver além), tanto quanto o nosso consciente; só que elas superam de longe, em alcance e finura as combinações conscientes. Jung considera que podemos confiar ao inconsciente a condução do homem quando esse tem a capacidade de resistir à sua sedução. Porém apenas aqueles chamados desde o berço, os que têm capacidade e impulso para uma diferenciação maior, é que atingem um grau mais elevado de consciência, porém a possibilidade psíquica não é reservada apenas para uma elite de indivíduos particularmente bem dotados. (JUNG, 1980)
Após Jung argumentar, e dizer tudo aquilo que este artigo retrata sobre suas próprias idéias, no seu livro “Psicologia do Inconsciente”, ele diz: “nem tudo o que exponho foi escrito com a cabeça; muita coisa também saiu do coração. Peço que isso seja levado em conta pela generosidade do leitor;”
Segundo Morin, a primeira fonte de “loucura” do sapiens está, evidentemente, na confusão que faz ver o imaginário como realidade, o subjetivo como objetivo, o que pode conduzir à racionalização delirante, no sentido clínico do termo, em que o excesso de lógica e o excesso de afetividade estão ligados, com o primeiro justificando, dissimulando e organizando os impulsos irracionais e os interesses subjetivos. Ou seja, a falsa racionalização que o neurocientista MacLean aponta como problema principal na racionalização do ser. Enquanto a debilidade mental não produz suficiente sentido, a fonte dessa loucura sapiental está no excesso semântico, que produz sentido onde antes havia ambigüidade e incerteza. (MORIN, 2000 p. 124)
A visão semiótica peirciana concorda plenamente com esse julgamento errado da psicologia. Peirce concluiu que tudo que aparece à consciência, assim o faz numa gradação de três propriedades que correspondem aos três elementos formais de toda e qualquer experiência. Sendo assim, ele também é contra o inconsciente. É adepto ao cérebro triúnico de MacLean, sendo assim é contrário ao inconsciente psicológico. (MARIN, 2005 p. 10)
Jung afirma em “Psicologia do Inconsciente”, que doentes mentais possuem uma ligação mais forte com o inconsciente e podem reproduzir exatamente as mesmas imagens e associações que conhecemos de textos antigos. (JUNG, 1980)
Ele não quer dizer que as imaginações sejam em absoluto hereditárias; hereditária é apenas a capacidade de ter tais imagens, o que é bem diferente.
Neste estágio mais adiantado do tratamento que Jung aplica em pacientes, as fantasias não repousam mais sobre reminiscências (o que se conserva na memória) pessoais, trata-se de manifestação da camada mais profunda do inconsciente, onde jazem adormecidas as imagens humanas universais e originárias. Para essas imagens Jung denominou-os de arquétipos, ou dominantes.
Na psicologia de Jung o inconsciente suprapessoal ou coletivo é desligado do consciente pessoal e é totalmente universal. Seus conteúdos podem ser encontrados em toda parte, o que obviamente não é o caso dos conteúdos pessoais.
O inconsciente pessoal contém lembranças reprimidas, perdidas (propositalmente esquecidas), evocações dolorosas, percepções que, por assim dizer, não ultrapassariam o limiar da consciência (subliminais), isto é, percepções dos sentidos que, por falta de intensidade, não atingiriam a consciência e os conteúdos que ainda não estão amadurecidos para a consciência. Corresponde à figura da sombra, que frequentemente aparece nos sonhos.
Existem dois tipos de sonhos: o comum e a grande visão. (JUNG, 1987)
“Os Elgonyi”, que vivem nas florestas virgens do Elgon que os explicaram sobre os sonhos.
O sonho cotidiano é do homem comum, e a “grande visão”, apenas, como exemplo, o mago e o cacique possuem.
Os pequenos sonhos não possuem importância nenhuma; mas quando alguém sonha um “grande sonho”, convoca a tribo para contá-lo a todos
O psicanalista diz que, sabe-se que é um grande sonho ou pequeno, por um sentimento intuitivo de sua importância significativa. Tal impressão é de tal modo avassaladora, que o individuo jamais pensaria guardá-lo para si. Eles têm que contá-lo supondo, de um modo psicologicamente correto, que o sonho coletivo é carregado de uma importância significativa que nos impele a comunicá-lo. Tendo a origem de um conflito de relação, deve ser levado à relação consciente, porque compensa esta última e não apenas a um defeito pessoal interior.
Os processos do inconsciente coletivo só dizem respeito à comunidade humana em geral.
Considerando o inconsciente coletivo e pessoal de Jung, utilizarei conhecimentos do filósofo da mente, Daniel Dennett.
A teoria da consciência de Dennett, além da conseqüência quanto à relação sujeito/observador, aponta também que não podemos falar de estar consciente de um conteúdo, como uma simples visão e questão de tudo/nada, presença/ausência, mas como uma dependência em relação àquilo a que Dennett chama sondas (probes), geradoras de precipitações narrativas. Vou utilizar um exemplo do próprio Dennett para a melhor compreensão:
Se eu estiver em uma sala, sentado, lendo e concentrado e me perguntam se o relógio acabou de bater badaladas e, se sim, quantas foram, eu sou capaz de reconstituir e dizer que foram cinco, mas se ninguém me perguntar nada direi – então eu estive consciente das cinco badaladas ou não? (Se não estive, quem as contou?) Esta pergunta absolutista (e antropomorfista) – que pressupõe que ou estive ou não estive consciente de qualquer conteúdo – não tem resposta, pois pressupõe ilegitimamente que há um antes e um depois da consciência, logo que há um centro, um vértice funcional. Pelo contrário Dennett pensa que é sempre uma questão em aberto saber se um conteúdo cognitivo que foi fixado virá a ser consciente.
Desta forma, a teoria de Jung sobre os tipos de inconsciente são muito relativos e sem nenhuma prova, o que a filosofia da mente de Dennett demonstra facilmente neste exemplo. Sendo mistificador perguntar, quando é que ele se torna consciente, e enganoso supor que a ordem temporal da discriminação é o que fixa a ordem subjetiva na experiência. (DENNETT, 1999)
Heráclito, (pag. 64 Psicologia do inconsciente, Jung) considerado um grande sábio na psicologia, descobriu a mais fantástica de todas as leis da psicologia: a função reguladora dos contrários. Essa função adverte que tudo um dia corre ao contrário. (JUNG, 1980)
De acordo com esta lei, não devemos nos identificar com a própria razão, pois o homem não é apenas racional, não pode e nunca vai sê-lo. O irracional não deve e não pode ser exterminado. Os deuses não podem morrer. A paixão, ou seja, a acumulação de energia que os antigos chamavam de “deus”.
O diagnóstico transmitido é que apenas escapa à crueldade da lei dos contrários quem é capaz de diferenciar-se do inconsciente. Não através da repressão do mesmo – pois assim haveria simplesmente um ataque pelas costas – mas colocando-o ostensivamente à sua frente como algo à parte, distinto de si.
Realmente, acreditarmos em nossa própria razão com a força de uma verdade absoluta não seria correto para o homem, porém o que buscamos é a não irracionalidade. Dessa forma buscamos julgamentos para a razão e soluções.
Já o que Jung diz é o contrário, ele é a favor ao irracional, tornando-se contrário a vários estudiosos, como Habermas e Wellmer, que apesar de considerarem arriscado o fato da “razão iluminista”, consideram de uma coragem extrema ir em direção da racionalidade. (BARROS)
Segundo Jung, o homem tem dois objetivos, o que ele considera natural, da proteção da prole e criação dos filhos; dinheiro e posição social. Após, alcançado esse objetivo, inicia-se a outra fase com objetivo cultural. O primeiro objetivo a natureza e a educação ajudam.
No segundo objetivo contamos com pouca ou nenhuma ajuda. Costuma reinar um orgulho falso, que nos faz acreditar que o velho tem que ser como o moço ou, ao menos fingir que é, embora no íntimo, não esteja convencido disso. Graças a isso, a transição da fase natural para a fase cultural é extremamente amarga e difícil pra tanta gente. Agarra-se ás ilusões da juventude e a seus filhos para que, desta forma, tente salvar o requisito da juventude. Jung considera o outono da vida como uma segunda puberdade.
Porém para o psicanalista, antigas receitas não servem mais para a resolução problemas que se colocam nessa idade. Da mesma forma que um relógio não permite girar os ponteiros para trás. Aquilo que a juventude encontrou e precisa encontrar fora, o homem no entardecer da vida tem que encontrar em seu interior.
Segundo Jung, comete-se um erro grosseiro ao acreditar que o reconhecimento do desvalor num valor, ou de uma inverdade numa verdade implique na supressão de tais valores e verdades. Tudo aquilo que é humano é relativo, porque repousa numa oposição que lhe é interior dos contrários, constituindo um fenômeno energético.
No outono da vida, com a descoberta do erro consequentemente encontra-se a verdade, a verdade é o erro porque a verdade é o contrário, levando em consideração a função reguladora dos contrários.
Não se trata de uma conversão em seu contrário, mas sim uma conservação dos valores antigos, acrescidos de um reconhecimento de seu contrário.
Jung diz que quem quiser transferir-se para a segunda fase da vida, tem que saber de tudo isso, no sentido de acreditar e seguir.
O psicanalista indica que nossa consciência está impregnada de cristianismo e é quase inteiramente formada por esta. Desta forma a posição inconsciente dos contrários não pode ser aceita, simplesmente porque parece exorbitante a contradição com os conceitos fundamentais que dominam.
No livro O eu e o inconsciente, Jung diz ser preciso encontrar um caminho intermediário entre a realidade consciente e a inconsciente e cita casos, apontando exemplos que acontecem dentro de sua teoria:
No campo da psiquiatria o fato etnológico essencial é a predisposição patológica herdada ou adquirida. O mesmo pode ser dito acerca da maioria das intuições criadoras, pois segundo Jung, é difícil supor uma relação meramente causal entre a maçã que cai e a da gravitação de Newton. Deste mesmo modo, todas as conversões religiosas que não procedem diretamente da sugestão ou do contágio do exemplo são devidas a processos interiores autônomos, que culminam numa transformação da personalidade. Tais processos têm a particularidade de ser inicialmente subliminais, isto é, inconscientes, só alcançando a consciência de modo gradual. (JUNG, 1987 p. 51;71)
Buscando a melhor compreensão sobre a psicologia e a psiquiatria, sobre em que consiste e como se forma o inconsciente, naturalmente, na medida em que são inconscientes, nada se pode dizer a respeito. Entretanto, às vezes, manifestam-se parcialmente através de sintomas, ações, opiniões, afetos, fantasias e sonhos. Com o auxílio desses materiais de observação, podemos tirar conclusões indiretas acerca da constituição e do estado momentâneos do processo inconsciente e de seu desenvolvimento. Segundo Jung, não devemos, entretanto, iludir-nos, pensando ter descoberto a verdadeira natureza do processo inconsciente. Jamais conseguiremos ultrapassar o hipotético “como se”. (JUNG, 1987 p. 52)
“Nenhum espírito criado poderá mergulhar nas profundidades na natureza” e nem do inconsciente.
Levando em consideração a citação de Jung, técnicas cientistas básicas dizem que tudo aquilo de que temos apenas hipóteses e não encontrou evidência alguma, e deve se considerar a hipótese mais simples, ou seja, aquela que não possua um raciocínio cheio de linhas ainda não dominadas. Neste caso, a teoria de Jung, levando em consideração sua própria citação, seria a não existência do inconsciente.
De acordo com Jung os processos inconscientes se acham numa relação compensatória e não opositora com o consciente.
Ex: o bem e o mal, esforçado, preguiçoso, seriedade, banalidade, etc.
Ou seja, se você for bom no inconsciente, deverá, ou será bom no consciente.
Antes de qualquer coisa, é bom deixar claro que estes estados subjetivos que Jung citou já são estudados e comprovados por muitos sociólogos e filósofos, como sendo um estado de falta de educação, necessidade biológica, doença, vícios, ou seja, puramente ignorância, na qual indivíduos podem se superar. Então, levando em consideração a superação do indivíduo, o que julgará qual bom ou mal é correto? Ou o que é banal e o que não é? Talvez seja possível provar essas minhas perguntas, porém os indivíduos são seres diferentes e contrários. Mas a partir desta teoria de Jung apenas haveria um modelo de conceitos, pois é impossível haver vários, já que desta forma não haveria sentido algum. Sendo assim, todas as pessoas deveriam estar sofrendo da função dos contrários, que ele citou. E isso não acontece.
Inclusive, segundo Jung a doença mental que levou a morte do filósofo alemão Friedrich Nietzsche foi uma punição divina diante da função reguladora dos contrários. O que sem dúvida, é uma teoria sem embasamento nenhum a fim de poder auto provar-se, mas sim, ao contrário, possui vários erros visivelmente concluídos. (JUNG, 1987 p. 65)
O que será apontado agora, talvez seja o ápice da crítica com conceito do inconsciente de C.G.Jung.
Segundo o psicanalista, quanto mais conscientes nos tornamos de nós mesmos através do autoconhecimento, atuando consequentemente, tanto mais se reduzirá à camada do inconsciente pessoal que recobre o inconsciente coletivo.
Quanto mais limitado for o campo consciente de um indivíduo, tanto maior será o número de conteúdos psíquicos que se manifestam exteriormente, quer como espíritos, quer como poderes mágicos projetados sobre vivos (magos e bruxas).
Segundo Jung “quando a projeção continua até mesmo as árvores e pedras dialogam”.
Desta forma, após este breve trecho a que Jung se refere, fica claro que ele acredita que não devemos usar o consciente, mas sim, usar mais a intuição.
De acordo com o filósofo da Mente, Daniel Dennett, a intuição pode acontecer inconscientemente, porém ela é comportamental ou funcional e nunca é pensada, ou seja, o inconsciente é irracional.
Parece-me que a ignorância desperta o inconsciente. Claro que quando relacionado às artes, o instinto humano é muito útil, levando em consideração que possa enquanto misturando seus próprios memes objetivos e subjetivos construir as mais belas artes. Porém, quando está sendo discutido um assunto desta importância, torna-se ridículo utilizar de instintos humanos irracionais.
Desta forma podemos considerar que não existe inconsciente, já que seria um termo inútil. Podemos apenas titulá-lo de irracional, ou seja, instinto animal que julga erroneamente.
A filosofia da Mente é uma das áreas que já dispensam a psicologia totalmente.
Segundo Daniel Dennett, a consciência é um complexo de memes que pode ser compreendido como uma máquina serial virtual implementada em uma arquitetura paralela. Ou seja, o cérebro funciona através de uma arquitetura paralela conexionista. São várias estruturas trabalhando paralelamente e eventualmente interagindo. Tais estruturas paralelas não foram desenhadas na evolução biológica do ser humano para implementar a consciência. Só que, do mesmo modo que as penas das aves tinham como função inicial protegê-las do frio e só depois foram usadas para voar, o cérebro tinha como função controlar o comportamento, mas acabou proporcionando o surgimento da consciência. Esta é uma máquina serial simulada nele. (LEAL, 2005)


Concluímos que a propaganda subliminar ou persuasão subliminar através do áudio-visual não foi comprovada cientificamente. Não há resultados ou amostragens que possam evidenciar qualquer reação da mensagem não consciente no ser humano fazendo-o aderir a essa ou àquela propaganda.
O senso comum faz ligações erradas com o subliminar, que nada mais são do que níveis de compreensão e de análises ou redundância. Não existe a capacidade destas mensagens causarem reação alguma, inconscientemente, no repertório ideológico do indivíduo, mas encontramos o subentendido ou a pareidolia ou a inversão funcionando como técnicas e recursos de linguagem para aludir ao discurso.
A mensagem subliminar, do ponto de vista da psicologia, figura como uma teoria do inconsciente em que os indivíduos supostamente retêm informações que passam despercebidas pelo consciente, mas que podem vir à tona, uma hora ou outra, de forma consciente involuntária e, talvez, pela necessidade. Nessa teoria há o arquétipo pessoal que as pessoas adquirem durante experiências natas e o arquétipo coletivo que é uma herança inata de todos os seres que já existiram. Ambas as teorias não possuem nenhuma evidência científica. O próprio autor dessas teorias refere-se as mesmas, afirmando que não podem ser comprovadas, porém elas são lógicas, quando julgadas dentro da sua própria regra de embasamento.




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2 comentários:

  1. Quer dizer que as maiores empresas do mundo investem milhoes nesse tipo de propaganda e elas nao funcionam... muito estranho isso. kkkkkkkkkkkkkkk

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    1. Fontes dessa informação de investimento?

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