terça-feira, 29 de março de 2011

GALILEU GALILEI
O avanço da ciência como dilaceradora de fé


Há muito tempo existiu um cientista famoso cujo nome era Galileu Galilei. O cientista foi julgado pela Inquisição e obrigado a retratar-se de seus ensinamentos. O fato causou uma grande confusão, e durante mais de duzentos e cinquenta anos o caso continuou despertando indignação e discussão.

Atualmente, essa é uma história muito velha, pois a ciência de Galileu não tem mais inimigos. No entanto, não vamos ser ingênuos ao ponto de pensarmos que o avanço rumo à verdade daqui por diante está assegurado.

Realmente a vitória foi conquistada há muito tempo pela ciência, e nesta frente de batalha está tudo tranquilo, mas não foi sempre assim. O tema desta velha e importante discussão era o status do sistema do mundo copernicano, o qual, entre outras coisas, explicava o movimento diurno do Sol como apenas aparente e como resultado da rotação de nossa própria Terra.

Recorramos a História para que o mesmo erro não seja cometido novamente:

Em sua obra, Diálogo sobre os sistemas máximos (1632), Galileu Galilei defendeu a teoria de Copérnico, segundo a qual a Terra gira ao redor do Sol. Mas a Igreja não estava disposta a admitir que o novo sistema era melhor e mais completo que o antigo, mas sim que não passava de um instrumento mais conveniente para os cálculos astronômicos e para predições.

"...o que estava em jogo era a possível contradição de uma passagem do Velho Testamento..."

Neste período, a teoria chegou até a ser utilizada na reforma do calendário realizada pelo papa Gregório, que fez-se uso prático completo dele. Não havia nenhuma objeção ao ensinamento de Galileu da teoria matemática do sistema, na medida em que ele deixasse claro que seu valor era apenas instrumental, que ela nada mais era do que uma “suposição” - como diziam os cardeais da época. Seria apenas  uma “hipótese matemática” – uma espécie de estratagema matemático, “inventado e assumido com o objetivo de abreviar e facilitar os cálculos”.

Em outras palavras, não existiam objeções na medida em que Galileu estivesse disposto a considerar seu estudo apenas como hipótese, ou seja, sem a existência de nenhuma necessidade de que a hipótese seja verdadeira ou mesmo que se assemelhe à verdade. Apenas uma coisa é suficiente para ela – que ela permita cálculos que concordem com as observações.

Obviamente, o próprio Galileu sabia da superioridade do sistema copernicano como um instrumento de cálculo. Também conjeturava e até mesmo acreditava que ele era uma descrição verdadeira do mundo; Mas tanto para Galileu quando para a Igreja, este era de longe o aspecto mais importante da questão.

Haviam de fato algumas boas razões para acreditar na verdade da teoria.

A teoria de Galileu surgiu do seguinte modo:

Nas palavras de Popper, Galileu Galilei "havia visto em seu telescópio que Jupiter e sua luas formavam o modelo em miniatura do sistema solar copernicano (segundo o qual os planetas eram luz do Sol). Além do mais, se Copérnico estava certo, os planetas interiores (e somente eles) deviam mostrar, quando observados da Terra, fases como a da lua; E Galileu vira em seu telescópio as fases de Vênus".

A Igreja era incapaz de contemplar a verdade de um novo sistema de mundo que parecia contradizer uma passagem do Velho Testamento. Mas esta era dificilmente sua razão principal. Cerca de cem anos mais tarde, o bispo Berkeley expôs claramente uma razão mais profunda em sua crítica.

No tempo de Berkeley, a última obra de Galileu, "Discursos e Demonstrações Matemáticas Sobre Duas Novas Ciências" (1638), que o havia permitido rever e aprimorar seus primeiros estudos sobre o movimento e os princípios da mecânica em geral, possibilitou ao físico inglês Isaac Newton a formulação da lei da gravitação universal.

Aos olhos de Berkeley,  um sério rival à religião. Ele estava convencido de que um declínio da fé religiosa e da autoridade religiosa resultaria da nova ciência, se sua interpretação por parte dos “livres pensadores” estivesse correta. Pois estes viam em seu sucesso uma prova do poder do intelecto humano, sem a ajuda da revelação divina, para descobrir os segredos do nosso mundo – a realidade oculta atrás de sua aparência.

Naquela época (séc. XVII) e naquela região global, tinha-se simplesmente o conhecimento religioso como uma verdade, e dentro deste conhecimento habitava crenças da cosmológica do Universo.

A atitude de Galileu simboliza a defesa da pesquisa científica sem interferências filosóficas e teológicas.

Chamado a Roma pela Inquisição, que o acusava de “suspeita grave de heresia”, Galileu foi julgado e condenado por apresentar teoria de que a Terra não é imóvel, mas entre os seus estudos estão mostrar que não estamos em sistemas heliocêntricos (o Sol como centro do universo) e geocêntricos (a Terra como centro do universo). Assim, foi obrigado a abjurar em 1633 e, mais tarde, condenado à prisão perpétua, pena que foi reduzida para prisão domiciliar.

Séculos depois, em 1979, por influência do cientista brasileiro Carlos Chagas Filho, o papa João Paulo II encaminhou uma revisão do processo de condenação eclesiástica do astrônomo. Em outubro de 1992, o Vaticano reconheceu seu grave erro.

"...a ciência age como uma vela no escuro..."

A sabedoria científica veio como uma pequena e singela certeza em relação ao mundo, mas forçando a nossa reconsideração da compreensão do mundo, dita como verdade, e atualmente nada se resta daquela fé.

Este é o poder que o método científico, a filosofia da ciência, condecora o homem com liberdade e autonomia, abolindo a fé. Como observou Carl Sagan, a ciência age como uma vela no escuro.

3 comentários:

  1. "Este é o poder que o método científico, a filosofia da ciência, condecora o homem com liberdade e autonomia, abolindo a fé."
    Olha, no caso Galileu não é certo que fosse uma questão de fé.
    Agora, pela última frase, a coisa fica ainda pior pois está vaga demais. Um erro crasso.

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  2. esse texto tem falar como o galileu galilei foi um cientista

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